A propósito da campanha...

Assim termina a Campanha. Tão pobre como esperava, tão falha de argumentos como desesperada, buscando ideias bem interessantes no sítio medonho da incoerência e da arrogância. É certo que a arrogância às vezes até fica bem, nalguns casos é apenas prova de que se pode ser ignóbil sendo-se inteligente, ou, como diz o adágio, prova de que no melhor pano cai a pior nódoa!
Maria Filomena Mónica, por exemplo, escreve no Jornal de Notícias hoje (sexta-feira, 9) que detesta referendos e que "só vou votar porque os defensores do Não me irritam" . Acrescenta a eminente socióloga ser "liberal" em matéria de costumes, adiantando que "Os católicos podem ter os filhos que desejam até à Eternidade", junta-lhe um "bastariam os argumentos 'filosóficos' apresentados pelos meus opositores para não desejar estar a seu lado" e termina afirmando "Um feto é um feto; um ser humano é um ser humano".
Concluo presumir Maria Filomena Mónica ser a defesa do Não monopólio dos católicos, 'filosóficos' os seus argumentos e, mais extraordinário, apresentar o seu voto pessoal como reacção irritada aos argumentos do Não.
Esperava tudo menos isso. Que Maria Filomena Mónica cometa uma gafe até se compreende, que cometa quatro no mesmo breve artigo é que é pior! Mais dignidade encontro-a eu sem dúvida nos meus alunos do ensino secundário, que se habituaram a procurar uma postura elevada, 'filosófica' quanto baste para que saibam e possam responder a problemas sérios com seriedade.
É verdade que Maria Filomena Mónica já se emendou publicamente noutros flagrantes a respeito de outras tantas posições, como no que sustentou a favor da intervenção dos Aliados no Iraque. Bem vistas as coisas, uma coluna de jornal vale o que vale e nós leitores também valemos o que valemos… não é verdade?

Por João Ricardo Lopes, escritor, professor.

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