Esta arte



esta arte
dedicado a Nélson Lopes, meu pai


abre-se uma porta
e essa porta é todo um silêncio
que devemos erodir com o tempo

não me sei situar nesta cidade
os olhares interceptam-me num tom de natureza morta:
aqui ou aí ou em qualquer outra parte
é preciso desenhar o epicentro e habitá-lo sem pudor

um dia estaremos tão mortos

abrir-nos-ão o alforge
e as poucas memórias servirão de geografia
para lá dessa porta que abrimos
para lá da qual também eles caminharão

tão vivos um dia
como jamais poderemos sê-lo agora


por J.R.Lopes

1 comentário:

Anónimo disse...

Simplesmente belo!