A propósito de ti - I



A propósito de ti


Não te vou escrever uma carta de amor. Acho-as bacocas, sem verdade, digitalizadas, diria mais. «Eu amo-te, fofinho do meu coração.» Coisa ridícula. Ou então «És o Sol que ilumina a minha vida.» Pior ainda!
O que na realidade te quero dizer, resume-se a muito pouco. «Meu anjo, és tu quem eu quero. É contigo que eu quero partilhar todos os momentos...», blá, blá, blá...e vão mais duas de conversa fiada, absolutamente inspiradas em Shaskspeare dos tempos modernos.
O que eu te quero dizer é mais profundo, sabes? É verdadeiro. «Quando te conheci, a minha vida mudou como de chuva para sol...» Esta agrada-me, confesso! Mas, qual seria a preferência climatérica do presumível apaixonado? O melhor é não dar importância. É bonita e pronto.
Ainda bem que aquilo que eu tenho para te dizer é mesmo aquilo que Eu sinto! «O nosso amor, jamais terminará.» Ora aqui está um bom exemplo comprovativo da existência da adivinhação. Afinal, “I Ching”- o grande oráculo, existe mesmo.
Isto não é uma carta de Amor. Jamais poderia ser uma carta de amor, porque: não te vou dizer que és a pessoa mais importante da minha vida. Não te vou dizer que o dia em que te conheci foi o melhor dia da minha vida. Não te vou dizer que já não consigo deixar de pensar em ti. Não te vou dizer que te desejo e que desejo também que permaneças na minha vida. Não te vou dizer que quero que faças parte de mim e que me dês a alegria de ser mãe, que o meu coração te pertence...
O que eu te queria dizer...
Apenas te queria dizer, «Amo-te».
(Mas isto não é uma carta de amor)



Por Marta Salomé Lopes

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