Março de E. Andrade



Março voltou


Março voltou, esta
ácida loucura de pássaros
está outra vez à nossa porta,
o ar
de vidro vai direito ao coração.
Também elas cantam, as montanhas:
somente nenhum de nós
as ouve, distraídos
com o monótono silabar do vento
ou doutros peregrinos.

Já sabeis como temos ainda restos
de pudor.
e pelo mundo uma enorme, enorme indiferença


Poema de Eugénio de Andrade

1 comentário:

Anónimo disse...

Marta, tem bom gosto! Este poema é um hino à vida. Obrigado por partilhá-lo connosco.