
Há dois tipos de famílias portuguesas: as em que não se fala e as em que só se grita.
Já toda a gente deve ter observado o fenómeno: num restaurante, num café, num transporte público, no Algarve, em Lisboa, só há duas maneiras de comunicar nas famílias portuguesas.
No primeiro caso, a mulher e o marido nada dizem, são capazes de almoçar, ou jantar, durante hora e meia sem dizer nada um ao outro. Pensam, olham e observam o que se passam à sua volta, mas ignoram a existência de outro ser humano à sua frente. Não há tentativas de encetar conversa nem silêncios incómodos, porque são silêncios habituais.
No extremo oposto estão as famílias que sofrem de excesso de comunicação, em que os seus membros gritam, gritam e gritam, quando estão zangadas, quando estão felizes, quando querem falar, perguntar, responder. Não sabem falar em tom baixo, e por isso falam aos berros, mesmo que gostem uns dos outros e sintam um desejo sincero de comunicar.
Entre estas duas estão os raros espécimes de famílias que conversam normalmente, que contam coisas que lhes aconteceram, comentam as notícias, discutem política, que de vez em quando gritam porque estão zangados e outras vezes ficam em silêncio porque estão incomodados. Mas são raros, muito raros.
Por Tiago Simões de Almeida
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